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Esquecidos pela sociedade, índios vivem em situação de precariedade no Paraná

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DEIXADOS DE LADO

Esquecidos pela sociedade, índios vivem em situação de precariedade no Paraná

Assustados, acuados e de certa forma meio sem noção das condições precárias de acomodação, higiene e alimentação em que vivem, como pessoas "esquecidas pela sociedade". Assim estão cerca de 60 índios, entre os quais um número significativo de crianças que vieram para Apucarana, no Vale do Ivaí (norte do Paraná), das reservas Ivaí, em Manoel Ribas, e Queimados, em Ortigueira. A situação é similar a do indiozinho de dois anos que vivia com a família nas ruas de Imbituba, no sul do Estado Santa Catarina, e foi assassinado por um rapaz de 23 anos, integrante de seita satânica, com um golpe de estilete no pescoço. O autor do crime acabou preso e tentou o suicídio na Cadeia.

A CIDADE E AS DIFICULDADES - Os índios vêm para Apucarana, que é cidade polo da região do Vale do Ivaí, para vender balaios e cestas feitos de o bambu-taquara, a principal matéria-prima utilizada para a confecção dos produtos artesanais (cada cesto médio é vendido por cerca de R$ 30), mas a chuva ininterrupta registrada nos últimos dias na região tem agravado a situação de precariedade dos indígenas, que estão alojados em barracas nas dependências do guichê de bilheteria do Estádio Olímpio Barreto (antigo Bom Jesus da Lapa), na zona sul da cidade, e no Parque do Japira, próximo ao local onde é construído o  Centro de Iniciação ao Esporte (CIE), obra avaliada em R$ 3,5 milhões no Jardim América, na zona norte da cidade. Os índios aproveitam a água da chuva para lavar louças e roupas e pedem mais lonas para se abrigar da chuva.

O índio Nivaldo Lourenço, um dos líderes do grupo, afirma que 14 índios, entre eles crianças, estão acomodados em barracas num espaço de menos de 20 metros quadrados, no guichê do estádio. "Com a chuva e o vento, a gente fica molhado e fica tudo molhado, inclusive os cestos que vendemos para sobreviver. Precisamos de mais lonas e esperamos mais ajudas das pessoas", afirma Lourenço. O líder indígena acrescenta que algumas crianças já estão adoecendo em razão do mau tempo dos últimos dias. "Nossa situação aqui está muito difícil mesmo", completa Nivaldo Lourenço.

A índia Nayara Maria endossa as palavras de Nivaldo. "Estamos precisando muito de mais lonas, pois com essa chuvarada a situação está cada vez mais difícil", frisa.

Os índios aproveitam a água da chuva para lavar louças e roupas
Foto: José Luiz Mendes



AÇÃO SOCIAL/AUXÍLIO - Fontes da Secretaria Municipal de Ação Social da Prefeitura de Apucarana e Defesa Civil adiantaram que mais lonas devem ser entregues aos índios que estão em Apucarana e eles vão receber ainda auxílio médico e medicamentoso. "Vamos tomar as providências necessárias para ajudá-los", afirmou o prefeito de Apucarana, médico Beto Preto.

CASA DA PASSAGEM - O Ministério Público Federal (MPF) já chegou a ajuizar ação determinando que a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Prefeitura de Apucarana construam uma Casa de Abrigo do Índio, que se chamaria "Casa da Passagem".

De acordo com um levantamento geral feito por uma antropóloga do MPF, pelo menos 25 famílias indígenas passam com frequência por Apucarana. O assunto foi debatido em várias reuniões ao longo dos últimos anos, mas o projeto ainda praticamente não saiu do papel por falta de recursos. A Prefeitura de Apucarana manifestou a intenção acomodar os índios em dependências anexas ao Centro Social Urbano, no Parque Bela Vista, na zona norte de Apucarana, mas eles se recusam a ficar no local.


Fotos : José Luiz Mendes

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