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    Crises Econômicas e Desenvolvimento Empresarial

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    Publicado em 12/03/2020 Editado em 12/03/2020

    Crises são recorrentes do processo capitalista, embora exista esta ou aquela economia que está melhor preparada para enfrentá-las; esta ou aquela empresa que mantém-se melhor preparada e sofre menos com os solavancos do processo de crise nacional e mundial. O processo de globalização dos hábitos, costumes e comunicações que teve início nos anos de 1990 e 2000 por todo o mundo, tornou a produção e o consumo internacionalizado, e isso tem favorecido ao alastramento dos processos de crise e tem permitido que a crise possa se propagar por todas as economias de forma mais rápida e constante.


    Embora o processo de internacionalização seja sem volta, uma das formas de proteção pode ser que as economias e as empresas trabalhem para reunirem condições de se fortalecerem nacionalmente dentro do mercado interno onde estão instaladas, tanto em níveis de produção quanto de consumo. Apesar de o processo capitalista ir onde as oportunidades estão e o comércio internacional contar com importantes créditos para o crescimento e desenvolvimento econômico, o processo de internacionalização precisa ser bem calculado, para que processos de ambientes de crises severas ou medianas não corroam tanto as economias e suas empresas com soluços vindos de fora.

    Cedo ou tarde podem-se envolver em crises as economias, empresas e particulares. Para manterem-se em pé diante da crise, as economias que reúnem em seus aportes mercados robustos de consumo e de produção tendem a sair na frente quando a recuperação se inicia para todos e, tendem a cair por último quando a crise atinge a todos. Uma outra importante questão é a manutenção de uma renda per capita consistente, via política econômica de valorização da renda per capita e de sua distribuição, que envolve a valorização de salários. No momento de saída da crise, essas economias tendem a dar respostas mais rápidas, por meio de um mercado interno consistente, tanto para a produção quanto para o consumo.

    É inegável que a internacionalização das economias traz pontos positivos na conta do crescimento e desenvolvimento econômico para os países e suas empresas, mas a internacionalização implica em participar não só das benesses, mas também dos momentos de crise, que podem ser profundas, quando intempéries ou desastres mundiais ocorrem e trazem o crescimento para o negativo, ou próximo de zero. Para a internacionalização é necessário que as economias estejam preparadas, com forte aporte de ciência e tecnologias instaladas, a partir de sua condição média em diante, para que tenham condições de aprimorarem cada vez mais seu leque competitivo no mercado internacional. Esta é também uma das exigências para blindar as economias diante dos processos de crise, ciência e inovação com poder de geração de novas tecnologias são fatores essenciais, com poder de tirar as economias da crise e, com poder de blindá-las contra quedas bruscas. Para isso, é necessário investimentos contínuos em educação, as respostas virão. Inovação e geração de novas tecnologias são frutos de investimentos em todas as modalidades de educação, condições necessárias para o fortalecimento de mercados internos e à blindagem de crises econômicas por economias regionais e nacionais.

    O outro lado do processo de blindagem é a busca da estabilidade econômica e política, pois estes são os meios que podem empurrar, retardar ou retirar um país, ou uma empresa do processo de crise, disputas e lutas internas sem rumos definidos, podendo levar à retração ou morte de empresas com grande tradição no mercado. Disputas sem rumos definidos de economias locais, regionais e nacionais podem levar a graves desequilíbrios setoriais e sociais – como na indústria – retardando investimentos que deveriam ser continuados ciclo a ciclo, impedindo o crescimento da renda per capita, desestimulando economias e as impedindo de torná-las forte na produção ou no consumo, levando-as à fragilidade sendo tomadas por crises internas ou externas. Aqui aparecem os desequilíbrios ciclos a ciclos. É o tradicional voo de galinha, um passo para frente e outro para trás, o processo de crescimento não se sustenta e a crise internacional, quando encontra esses ambientes, pode tornar-se pegajoso e tornar a recuperação ainda mais lenta.

    As instituições, aqui, têm um papel muito importante, porque como as informações circulam em tempo real. As instituições precisam ter bem definido o seu papel no processo de crescimento e desenvolvimento econômico, para que informações desencontradas não fragilizem, ou desestimulem, um processo de expansão iniciada. A condução inteligente das instituições auxilia e dá suporte ao processo de expansão do crescimento e desenvolvimento econômico. O ordenamento político, jurídico e econômico encontra nas instituições o respaldo e a segurança necessários para que o crescimento e o desenvolvimento econômico iniciado se processe ciclo a ciclo de forma contínua.

    As empresas estão envoltas nesse meio e fazem parte do processo, elas são atores que não trabalham no processo de construção do crescimento e desenvolvimento e não funcionam em separado das instituições. Elas precisam de todo o aporte de ciência disponível, de segurança jurídica, de normas e regras disponibilizadas pelas instituições. Essas regras, entretanto, não podem ser de obstacularização ao desenvolvimento, mas são necessárias para colocar ordem no oportunismo e desordem, do mercado regional, nacional e internacional. São as regras claras que inibem processos oportunistas tanto de informações falsas quanto de estratégias de concentração de mercado que não desestimulam, mas colaboram para a evolução no processo de crescimento e desenvolvimento econômico regional, nacional e mundial.

    Vencer ambientes de crises envolve a participação de ações proativas de muitos atores, seja em nível local, regional, nacional ou mundial. A cooperação, a transparência e o respeito às regras de competição precisam aparecer em primeiro lugar; a recuperação vem primeiro para aqueles atores que estão melhor preparados em educação, ciência e tecnologia e, mais coesas quanto à sua formação interna estrutural o que caracteriza a sua solidez competitiva. E, assim pode-se melhor calibrar o seu processo de crescimento e desenvolvimento econômico, tanto da parte das empresas, quanto da parte das economias como um todo.

     

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